BlogEmpréstimo de aposentado

Empréstimos pessoais em bancos diferentes: uma ação de revisão ou várias?

Por Dr. Gustavo König · OAB/RS 122.326 · Direito bancário e tributário · Atualizado em 22 de setembro de 2026

Aposentado ou pensionista do INSS com empréstimos pessoais em três, quatro ou cinco bancos diferentes, na hora de pensar em revisão, quer resolver tudo de uma vez. É uma vontade compreensível, mas a forma de organizar os pedidos depende de quem são os bancos e de como cada contrato foi feito.

Vários contratos no mesmo banco podem ir juntos

O art. 327 do Código de Processo Civil permite cumular, num único processo, vários pedidos contra o mesmo réu, ainda que não haja conexão entre eles. Assim, quem tem vários contratos de empréstimo pessoal com a mesma instituição pode, em regra, pedir a revisão de todos na mesma ação.

Isso é comum na sequência de refinanciamentos no mesmo balcão, em que um contrato quitou o anterior. Reunir a cadeia inteira num processo facilita reconstruir o saldo que passou de um contrato para o outro, como explicamos no artigo sobre refinanciamento e contratos antigos.

Bancos diferentes costumam exigir organização separada

Quando os contratos são com instituições diferentes, cada banco é um réu distinto, com contrato, taxa, documentos e defesa próprios. O CPC admite, em algumas hipóteses, que vários réus fiquem no mesmo processo, por exemplo quando há afinidade de questões por ponto comum de fato ou de direito (art. 113, III). O juiz, porém, pode limitar esse agrupamento se ele prejudicar a rápida solução do litígio ou a defesa (art. 113, § 1º).

Na prática, é frequente organizar uma ação para cada banco. A decisão é feita caso a caso, olhando o número de contratos, a documentação e a estratégia de prova. Juntar instituições que não têm nada em comum além do cliente pode atrasar o processo e dificultar a perícia.

Por que cada contrato precisa ser analisado sozinho

Mesmo que o problema pareça um só, a "bola de neve" de parcelas, a revisão é feita contrato por contrato:

Pelo Tema 27 do STJ, a abusividade precisa ser demonstrada no caso concreto. Misturar contratos sem essa separação pode esconder justamente os que têm maior discrepância.

Onde a ação pode ser proposta

Nas relações de consumo, o consumidor pode, em regra, propor a ação no próprio domicílio (art. 101, I, do CDC). Isso vale mesmo quando o banco tem sede em outro estado, o que facilita para quem mora no interior e contratou com instituições de fora.

Separar as ações não significa repetir tudo do zero

Quando os contratos ficam em processos diferentes, boa parte da preparação é aproveitada. O relatório do Registrato, a planilha com as datas e taxas, a série de taxas médias do Banco Central e os extratos de conta servem de base para todos. O que muda de uma ação para outra é o contrato, a taxa e a documentação de cada banco.

Também é importante que um processo não contradiga o outro. O valor incontroverso de cada contrato, exigido pelo art. 330, § 2º, do CPC, precisa ser calculado de forma coerente, porque o orçamento do aposentado é um só e as parcelas reconhecidas como devidas continuam sendo pagas em todos os contratos.

Como priorizar quando são muitos contratos

Com a lista em mãos, alguns critérios ajudam a decidir por onde começar:

  1. contratos com maior distância entre a taxa contratada e a média do mês;
  2. contratos mais antigos, cujo prazo para questionar está mais próximo do fim;
  3. contratos com maior valor pago ao longo do tempo;
  4. cadeias de refinanciamento no mesmo banco.

O ponto de partida é a lista completa

Antes de decidir quantas ações, é preciso saber quantos contratos existem. O relatório do Registrato reúne os contratos ativos e encerrados no CPF, com banco e data. A partir dele, os contratos são separados por instituição, comparados com a média e organizados para a revisão.

Perguntas frequentes

Posso revisar vários empréstimos do mesmo banco numa única ação?

Em regra, sim. O art. 327 do CPC permite cumular vários pedidos contra o mesmo réu no mesmo processo, ainda que não haja conexão entre eles.

Dá para colocar bancos diferentes no mesmo processo de revisão?

O CPC admite vários réus em algumas hipóteses, mas o juiz pode limitar o agrupamento. Como cada banco tem contrato e defesa próprios, é comum organizar uma ação para cada instituição.

Preciso entrar com a ação na cidade do banco?

Em regra, não. Nas relações de consumo, o consumidor pode propor a ação no próprio domicílio, conforme o art. 101, I, do Código de Defesa do Consumidor.

Tem empréstimos pessoais espalhados por vários bancos?

O primeiro passo é separar os contratos por instituição. Se quiser conversar sobre os seus, o escritório atende pelo WhatsApp.

Falar com o escritório no WhatsApp

Conteúdo informativo e educacional, em conformidade com o Provimento 205/2021 da OAB. Não constitui promessa de resultado nem parecer para caso concreto. Para análise individual, fale com um advogado.