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Aposentado ou pensionista do INSS que paga o empréstimo pessoal todo mês e, mesmo assim, sente que a dívida não sai do lugar costuma achar que fez alguma conta errada. Na maioria das vezes, a conta está certa. O que pesa é a forma como os juros entram em cada parcela, principalmente quando a taxa do contrato é alta.
Cada parcela tem duas partes. Uma paga os juros do mês, calculados sobre o saldo que ainda está devendo. A outra, chamada amortização, é a que realmente reduz a dívida. No sistema de parcelas fixas, usado na maioria dos contratos de crédito pessoal, os juros ocupam a maior fatia no começo e a amortização só cresce perto do fim.
Por isso a sensação de "pagar e não andar" é mais forte nos primeiros meses. Quanto maior a taxa mensal, maior o pedaço da parcela que vai para os juros e menor o que abate o saldo. Atrasos pioram o quadro, porque somam juros de mora e multa ao que já estava pesado.
O Banco Central publica a taxa média do crédito pessoal não consignado na série 25464. Em julho de 2026, essa média foi de 6,42% ao mês. Veja um exemplo hipotético, só para ilustrar a mecânica:
Esse exemplo usa a taxa média. Quando o contrato tem taxa bem acima dela, a parte dos juros dentro da parcela fica ainda maior, e o saldo demora mais para cair.
Outro motivo comum é a renovação do contrato antes do fim. O banco oferece "dinheiro novo", quita o saldo antigo com parte do valor liberado e abre um contrato novo, com novas parcelas. A contagem volta ao início, justamente para a fase em que os juros pesam mais. Quem passa por isso várias vezes acaba numa sequência de contratos, como explicamos no artigo sobre vários empréstimos pessoais, um pagando o outro.
É importante separar as coisas. O Superior Tribunal de Justiça entende que taxa acima da média não é abusiva só por isso (Tema 27, REsp 1.061.530). A abusividade precisa ser demonstrada no caso, e uma discrepância relevante em relação à média do mês da contratação é o principal indício. Alguns juízos usam critérios objetivos, como a média mais 50%, mas isso não é uma regra nacional fixa.
Na prática, a pergunta certa não é "os juros são altos?", e sim "a taxa deste contrato está muito distante da média do mês em que ele foi assinado?". O caminho para responder está no artigo sobre como saber se a taxa do empréstimo pessoal é abusiva.
Quando a abusividade é reconhecida, a taxa pode ser ajustada a um patamar compatível com o mercado e o saldo é recalculado. Os valores pagos acima do devido podem ser objeto de devolução. Nada disso acontece automaticamente: depende da análise de cada contrato, com data, taxa, valor liberado e parcelas pagas.
O primeiro passo é simples: separar os contratos, anotar a taxa mensal de cada um e a data de assinatura. Com esses três dados já dá para saber se vale olhar mais a fundo.
Vale também conferir o valor que caiu de fato na conta em cada contrato. Seguro, tarifas e IOF somados ao valor financiado aumentam o saldo sobre o qual os juros incidem, mesmo quando o dinheiro nunca chegou às mãos do aposentado.
Porque os juros de cada mês são calculados sobre o saldo devedor, que é maior no início. No sistema de parcelas fixas, a parte que reduz a dívida começa pequena e cresce com o tempo.
Não necessariamente. Com taxa alta, boa parte das parcelas iniciais vai para os juros, e o saldo devedor pode continuar alto mesmo depois de muitas parcelas pagas.
Taxa alta sozinha não basta. O que se analisa é a distância entre a taxa do contrato e a taxa média do Banco Central no mês da contratação, junto com as circunstâncias do caso.
Cada contrato tem uma data, uma taxa e um saldo. Se quiser conversar sobre o seu, o escritório atende pelo WhatsApp.
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Como saber se a taxa de juros do empréstimo pessoal é abusiva
Conteúdo informativo e educacional, em conformidade com o Provimento 205/2021 da OAB. Não constitui promessa de resultado nem parecer para caso concreto. Para análise individual, fale com um advogado.